

Menina mimada
de porcelana e cristal
Clara, límpida, Azul e Rosa.
Pureza... pureza...
PUREZA?!
Que houve com a pureza?
Quem a roubou?
Oh, céus!!! Fomos traídos!
que fazer agora?
GUILHOTINA!!!!!
Cortem-na a cabeça de cachos e fitas!
Mas eis que surge uma voz ao longe:
- Que fez a criança?
-Não há criança alguma. Fere-se a moral e a
vergonha, não és mais criança.
Pagarás pelo que fez!
- O que fez?
Amou? Amar é crime? Amou erradamente mas, amou!
- Errou amorosamente, mas ERROU!!!
- Sim, tantas vezes errou, e tantas perdoou.
A porcelana, já não existe mais, mas o coração ("de carne")
continua sendo o mesmo... continua lá, despido de rótulos
mas com a mesma essência.
Não duvidem disso, pois o punhal ameaçador que ela
tem em suas mãos é irmão daquele que está atravessado
em seu peito.
Seu crime e sua violência são máscaras para sua fragilidade.
Pobre menina! Não sabe medir conseqüências, mas sabe querer
sempre e mais um colo para lhe acolher.
Não sabe falar, só sabe rosnar e chorar.
E como chora! Está chorando agora!
O que será que ele quer da vida?
Sorrir ao sentir cócegas;
Chorar quando o nó apertar;
Abraçar alguém distante;
Deitar no colo de alguém próximo;
Aprender a falar para que as palavras não a corroam por dentro;
Aprender a ouvir para que por um momento não se sinta auto-suficiente;
Ser útil para alguém;
Amar, amar, amar;
E, sobretudo soltar o grito sufocado em sua garganta, soltar os cachos e fitas e limpar mãos no seu vestido branco.
Libertem-na desta sentença.
Eu garanto que ele continua sendo a mesma!
Sem Mais


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